Nunca te vi e sinto-te aqui,
na angústia de todos os dias,
nas horas mortas, nas tardes quentes,
nas tristezas vãs, nas suaves alergias.
E a aquela criança a chorar?
e aquela esperança a brotar?
Foste-te nos teus termos, por tuas mãos,
num abraço de vítima e de algoz,
de encontro marcado com vulto
sinistro da gadanha e do capuz.
Seria teu o espectro que à tarde ouvia?
Seria apenas o piar da cotovia?
Seria teu o sangue nos ovos das ciganas,
velhas sinas, maldições e certas patranhas.
Nunca te vi e sei aqui,
num vulto do luto que não se conhece,
nunca te vi, mas também te bati,
se não era eu por ele, era ele por mim.
Noite triste, taberna escura, copos virados
ciúmes, traições, corpos virados
sem o saberem, corpos apenas,
diabos, anátemas e contradições.
Da rosa não se sabe o nome,
tem moldura por ternura,
viúva em flor, paixão de amor,
e uma sede por aclamar,
uma ânsia de criar,
um saber tão só amar.
E a aquela criança a chorar?
e aquela esperança a brotar?
Era tarde, mais de meio dia,
o vinho envenenou a alquimia,
sossega no regaço dos teus,
de baraço ao pescoço
te entregas a Deus.











